Publicado por: Psiquiatria Clinica Granja Viana | 02/24/2010

TDAH em sala de aula – 50 dicas

ORIENTAÇÃO PARA PROFESSORES SOBRE O TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE

Dra. Marina Corrêa Guimarães

Caro(a) professor(a)

Uma vez que a prevalência do transtorno em crianças em idade escolar está entre 3 a 6%, vale a pena conhecê-lo mais profundamente. O Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma síndrome neurológica e a clássica tríade que a compõe inclui impulsividade, falta de concentração e hiperatividade. Porém em que ponto o comportamento deixa de ser normal? O TDAH não se baseia na simples presença dos sintomas mas em sua gravidade e duração, e em que extensão interferem na vida cotidiana. Não está ligada a pouca inteligência, embora existam comorbidades. A questão do diagnóstico e da necessidade de medicação são competências do médico. O processo de aprendizagem está certamente influenciado pelo menejo do professor, e quanto mais conhecimentos e instrumentos todos tiverem para orientar e ajudar esta criança a se estruturar, se observar, e aprender, melhores serão o resultados.
O que pode acontecer a um professor quando encontra alunos hiperativos em sua sala de aula? Alguns professores podem não se sentir à vontade para conviver num ambiente agitado, onde uma criança interfere no trabalho didático e na atividade de outros alunos. Acabam ficando irritados, impacientes, alterando rapidamente o tom de voz, excedendo-se em sua autoridade e desqualificando a criança. Isso pode gerar uma insatisfação consigo mesmo e um sentimento de inadequação. Com freqüência o aluno é convidado a procurar outra escola. Essa atitude reativa dos professores tem suas razões. Não é apenas na escola que a criança gera tal reação. Mas não se trata de nenhuma tragédia e há muito que fazer, felizmente com bons resultados. Quando os pais encontram-se derrotados, é preciso injetar-lhes esperança e paciência. É preciso que se tenha conhecimento do assunto para desmistifica-lo. Um professor experiente tentará encontrar estratégias para motivar este aluno e ganhar sua atenção e interesse.

Estas dicas foram tiradas do livro “Tendência à Distração”, escrito por Edward M. Hallowell e John J. Ratey. Este livro traz a descrição de vários casos e ajuda a desfazer preconceitos. Desta forma espero estar contribuindo para com os professores(as), e conseqüentemente para com as crianças. Vamos às dicas.

50 DICAS PARA LIDAR COM CRIANÇAS QUE APRESENTAM TDAH EM SALA DE AULA

1. Antes de tudo certifique-se de que é realmente com TDAH que você está lidando. Procure saber dos pais se o diagnóstico foi feito por um médico, se a visão e audição foram verificadas e outros problemas médicos não existem. Esse cuidado é de responsabilidade dos pais e não dos professores, mas estes podem ajudar no processo.
2. Ser professor de uma turma com duas ou três crianças com TDAH pode ser extremamente cansativo. Busque o apoio da escola e dos pais. Encontre uma pessoa com bom conhecimento do assunto ou centro de referencia a quem você possa consultar quando tiver problemas. Mantenha contato com a família para assegurar-se de que vocês estão se esforçando pelo mesmo objetivo.
3. Conheça seus limites para não ter medo de pedir ajuda. Como professor não se espera que você seja um especialista em TDAH.
4. Pergunte à criança o que pode ajudá-la. As crianças com TDAH costumam ser muito intuitivas; se você perguntar, elas podem lhe dizer como conseguem aprender melhor. Muitas vezes elas se sentem constrangidas de dar a informação espontaneamente, pois podem parecer excêntricas. Tente sentar-se a sós com ela e perguntar-lhe como aprende melhor. Muitas vezes a criança é o mais intuitivo especialista quanto à forma mais eficiente de aprendizagem. É impressionante a freqüência com que as opiniões das crianças são ignoradas, ou sequer solicitadas. E com crianças mais velhas, assegure-se de que elas entendam o que é o TDAH, pois isso facilitará as coisas para ambos.
5. Lembre-se do aspecto emocional do aprendizado. Essas crianças precisam de ajuda especial para encontrar prazer na sala de aula, conhecimento em vez de fracasso e frustração, estímulo em vez de tédio ou medo. É fundamental prestar atenção às emoções envolvidas no processo de aprendizagem.
6. Lembre-se de que crianças com TDAH buscam limites. Elas precisam que o ambiente estruture o que não conseguem estruturar internamente por conta própria. Faça listas ou tabelas para servir de referência quando se sentem perdidas no que fazem. Elas se beneficiam de lembretes e que as informações sejam repetidas com freqüência. Precisam de instruções, limites, estrutura.
7. Estabeleça regras. Coloque-as por escrito em lugar bem visível. As crianças se sentirão confiantes sabendo o que se espera delas.
8. Repita as instruções. Escreva-as. Exponha-as. As pessoas com TDAH precisam ouvir as coisas mais de uma vez.
9. Faça contato visual. Você pode “trazer de volta” uma criança com TDAH por meio do contato visual. Faça isso com freqüência Um olhar firme pode tirar uma criança de um devaneio, possibilitar uma pergunta ou simplesmente proporcionar uma confirmação silenciosa.
10. Faça com que a criança com TDAH se sente próxima à sua mesa ou onde você passa a maior parte do tempo.Isso evita que a criança fique à deriva, o que constitui um tormento freqüente para ela.
11. Estabeleça limites, fronteiras. Isso se destina a conter e amenizar, não a punir. Faça-o de forma coerente, previsível, com franqueza e prontidão. Não banque o advogado, recaindo em complicadas discussões sobre justiça, pois podem não passar de subterfúgio. Assuma o comando.
12. Tenha um cronograma essencialmente previsível. Afixe-o no quadro negro ou carteira da criança. Refira-se a ele com freqüência. No caso de alterações, avise e prepare bem a criança para isso, pois transições e mudanças são muitas vezes algo perturbador. Anuncie o que vai acontecer, repetindo várias vezes e com antecedência.
13.Tente ajudar a criança a planejar seus próprios horários após o fim das aulas, num esforço de evitar uma das marcas registradas do TDAH: o adiamento.
14. Elimine ou reduza a freqüência de provas com tempo limitado. Não há grande importância educacional em provas com tempo restrito, e é o momento da criança mostrar o que sabe. Inclusive se está aprendendo a manejar seu tempo, sua ansiedade.
15. Dê espaço para válvulas de escape, como sair da sala por alguns instantes. Se isso puder ser incluído nas regras da turma, possibilitará que a criança saia de sala em vez de “perder a aula”, começando assim a aprender importantes ferramentas de auto-observação e automodulação.
16. Em relação ao dever de casa, preocupe-se mais com a qualidade do que com a quantidade. As crianças com TDAH com freqüência precisam de uma redução de carga. Desde que estejam aprendendo os conceitos, devem ter permissão para tal. Elas irão dedicar a mesma quantidade de tempo ao estudo: só não terão que ficar arrancando os cabelos, sendo obrigadas a fazer mais do que lhes é possível.
17. Acompanhe constantemente o progresso. As crianças com TDAH se beneficiam bastante com feedbacks freqüentes, pois isto as ajuda a manter-se no rumo, faz com que saibam o que delas se espera e se estão atingindo suas metas, além de construir um grande incentivo.
18. Subdivida grandes tarefas em tarefas menores. Essa é uma das mais fundamentais técnicas de ensino para crianças para crianças com TDAH. Grandes tarefas facilmente oprimem a criança, fazendo com que retroceda com uma resposta emocional do tipo “nunca serei capaz de fazer isso”. Subdividindo as tarefas em partes manejáveis, fazendo com que cada componente pareça pequeno o bastante para ser realizado, a criança pode esquivar-se à emoção de se sentir oprimida. Em geral essas crianças conseguem fazer muito mais do que imaginam, e com a subdivisão das tarefas o professor possibilita que elas provem isto a si mesmas.
19. Permita-se brincar, divertir-se, não ser exageradamente formal. As pessoas com TDAH adoram brincar, respondendo com entusiasmo. Ajuda a concentrar a atenção tanto da criança quanto a sua. O tratamento envolve tantas coisas cansativas – estrutura, cronogramas, listas, lembretes e regras – e estas coisas não precisam estar consideradas chatas. Humor é saúde.
20. Mais uma vez, cuidado com o excesso de estímulos. Como água prestes a ferver o TDAH pode transbordar. É necessário saber abaixar o fogo rapidamente.
21. Procure e enfatize o sucesso o máximo possível. Essas crianças convivem com tanto fracassos, que precisam ser tratadas da forma mais positiva possível. Beneficiam-se muito de elogios e adoram ser encorajadas. Bebem dessa fonte, crescem com isso, e do contrário murcham e secam. Muitas vezes o aspecto mais devastador não é o TDAH em si, mas os danos secundários causados à auto estima. Portanto alimente bem esta criança com encorajamentos e elogios.
22. Para as crianças a memória é muitas vezes um problema. Ensine a elas pequenos truques, como cartões para refrescar a memória, rimas, códigos e coisas desse tipo. Qualquer pequeno truque que você puder imaginar pode ajudar bastante a melhorar a memória.
23. Use roteiros. Ensine a esboçar roteiros. Ensine a sublinhar. As crianças com TDAH não aprendem com facilidade essas técnicas, mas uma vez aprendidas, elas podem ajudar bastante, pois proporcionam estrutura e forma a seu aprendizado. Isso ajuda a dar à criança um senso de domínio durante o processo de aprendizado, que é quando ela mais precisa, em vez daquela vaga sensação de futilidade que com tanta freqüência define a emoção embutida no processo de aprendizado dessas crianças.
24. Anuncie o que vai dizer, e então diga. Depois, repita o que disse. Uma vez muitas crianças com TDAH aprendem melhor visualmente, se, além de falar, você puder também escrever ou desenhar, será melhor ainda. Esse tipo de estrutura põe as idéias em seus devidos lugares.
25. Simplifique as instruções. Simplifique as escolhas. Simplifique as programações de horário. Quanto mais simples for o vocabulário maior será a probabilidade de que ele seja aprendido. Use também a linguagem das cores, pois ajuda a prender a atenção.
26. Use um feedback para fazer com que a criança passe a se observar mais. As crianças com TDAH tendem a ser auto-observadoras fracas. É comum não terem a menor idéia do que fizeram, ou de como têm se comportado. Tente passar-lhes essas informações de maneira construtiva. Faça perguntas do tipo: “Você sabe o que acabou de fazer?”, ou “Como você poderia dizer isto de outra forma?” ou “Porque você acha que aquela garota pareceu ficar triste com o que você disse?”. Faça perguntas que propiciem a auto-observação.
27. Explicite suas expectativas.
28. Um sistema de pontos é uma possibilidade como parte da mudança comportamental, ou um sistema de recompensas para crianças menores. As crianças com TDAH respondem bem a recompensas e incentivos. Muitas delas são pequenos empreendedores.
29. Se a criança tiver dificuldade em ler os sinais sociais- a linguagem do corpo, o tom de voz, o timing e outras coisas do gênero, tente oferecer discretamente conselhos específicos e explícitos, como uma espécie de treinamento social. Por exemplo, diga: “Antes de contar sua história, peça para ouvir a de seu amigo.” Ou “Olhe para a outra pessoa quando ela estiver falando”. Muitas crianças com TDAH são consideradas indiferentes ou egoístas, quando na verdade apenas não aprenderam a se relacionar. Essa habilidade não se desenvolve naturalmente em todas as crianças, mas pode ser ensinada ou treinada.
30. Ensine algo a respeito de fazer provas.
31. Invente jogos com as atividades cotidianas. A motivação ajuda a melhorar quem tem TDAH.
32. Separe pares e trios, até mesmo grupos inteiros, que não se entendem quando juntos. Pode ser que você tenha que tentar vários arranjos.
33. Fique atento para que as atividades estejam relacionadas. Essas crianças precisam se sentir envolvidas. Assim elas serão motivadas, o que diminuirá a probabilidade de se desligarem.
34. Dê responsabilidades à criança quando possível. Deixe que ela descubra seu próprio método de lembrar o que por na mochila, ou que lhe peça ajuda, em vez de ficar dizendo a ela que quer ajudar. Acompanhe este movimento.
35. Experimente uma caderneta de anotações de casa para a escola e da escola para a casa. Isso pode contribuir para a comunicação diária entre professor e pais, evitando assim reuniões para tratar de crises. Também é útil para dar o feedback que tanto precisam estas crianças.
36. Procure usar boletins diários. Esses podem ser entregues à criança em mãos para dar a seus pais, ou se a criança for mais velha, podem ser lidos diretamente para elas. Tais relatórios não se propõem a disciplinar e sim a dar informação, a proporcionar um incentivo.
37. Artifícios como relógios e despertadores podem ser úteis para a autodisciplina. Por exemplo, se uma criança não consegue se lembrar da hora de tomar o remédio, em vez da transferência de responsabilidade para o professor. Ou então, durante o horário de estudo, um relógio colocado em sua carteira ajudará a criança a saber exatamente a progressão das horas.
38. Prepare-se para lidar com situações imprevistas de horário. Essas crianças precisam saber com antecedência o que vai acontecer, de modo a poderem se preparar internamente. Se de repente lhes é dado um tempo vago, isso pode ser estimulante em excesso.
39. Elogie, afague, aprove, incentive, nutra.
40. Com crianças mais velhas sugira para que escrevam pequenas notas para si mesmas, para lembrarem suas dúvidas sobre o que está sendo ensinado. Em essência, elas podem tomar notas não apenas sobre o que está sendo ensinado, mas sobre o que estão pensando. Isso ajudará a fazer com que prestem mais atenção.
41. Para muitas dessas crianças é difícil escrever à mão. Considere a possibilidade de desenvolver alternativas. Sugira que aprendam digitação. Pense na possibilidade de ministrar algumas provas orais.
42. Aja como se conduzisse uma sinfonia. Conquiste a atenção da orquestra antes de começar.(Você pode usar para isso o silencio ou um som tamborilado). Mantenha os grupos no tempo certo, apontando para diferentes partes da sala à medida que precisar da ajuda deles.
43. Quando possível, faça com que os alunos tenham um companheiro de estudos para cada matéria, com número de telefone.
44. Para evitar o estigma, explique a questão ao resto da turma, normalizando o tratamento que a criança recebe.
45. Tenha encontros regulares com os pais. Evite a tendência de só convocar reuniões quando há problemas.
46. Incentive a criança a ler em voz alta em casa. Leia em voz alta na sala de aula sempre que possível. Conte histórias. Ajude a criança a desenvolver a habilidade de se deter em um tópico.
47. Repita, repita, repita.
48. Incentive a criança a fazer exercícios físicos. Os exercícios, de preferência os vigorosos, constituem um dos melhores atenuadores de energia, ajuda a concentração e estimula certos hormônios e processos neuroquímicos benéficos. Sugira exercícios divertidos: podem ser esportes coletivos, como vôlei e futebol, ou exercícios individuais que a criança pode fazer sozinha, como nadar, pular corda ou correr.
49. Com crianças mais velhas Dê ênfase à preparação antes da aula. Quanto melhor for a idéia da criança sobre o que será discutido em determinado dia, maior será a probabilidade de que domine o assunto em sala.
50. Esteja sempre preparado para momentos de brilho. Essas crianças são muito talentosas, têm muito mais dons do que se pensa. São cheias de criatividade, ludismo, espontaneidade e entusiasmo. Tendem a ser resistente, sempre se levantando dos baques. Tendem a ser generosas e prestativas. Elas costumam ter algo especial que enriquece qualquer ambiente que estejam. Lembre-se de que há uma melodia no interior dessa cacofonia, uma sinfonia que ainda não foi composta.

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